De Salman Rushdie a Charlie Hebdo

Rui Martins, Direto da Redação


“Tudo começou em fevereiro de 1989. Lembro-me que fazia a cobertura do Festival de Berlim para o Caderno 2 do Estadão, quando ouvi a notícia, logo depois da ducha no hotel, pela rádio Europa1 – o aiatolá Khomeini decretava a fátua ou condenação à morte do escritor anglo-indiano Salman Rushdie (foto) por blasfêmias escritas no livro Os Versos Satânicos.

Coincidentemente, Rushdie está publicando novo livro, 14 anos depois, sobre sua vida de fugas, medos, sobressaltos, quando nova condenação à morte foi pronunciada contra o diretor do filme sobre a vida do profeta Maomé, cujos 13 minutos no Youtube foram suficientes para incendiar alguns países árabes e provocar o assassinato de quatro diplomatas americanos e mais uma vintena de pessoas.

O crime de blasfêmia foi também cometido pelos cartunistas dinamarqueses, autores de desenhos desrespeitosos do Profeta, republicados em Paris, pela revista semanal satírica Charlie Hebdo que, acaba de publicar uma nova série de desenhos, numa edição especial, Os Intocáveis, cuja capa mostra um rabino empurrando um molá ou imã muçulmano numa cadeira de rodas.

Toda vez que um escritor, cineasta ou cartunista mexe com religião aparecem logo os bombeiros para criticar os autores das provocações, dizendo « é preciso se respeitar as religiões, com isso não se mexe ». Foi assim com o filme de Jean-Luc Godard sobre a pretendida virgem Maria e dos cineastas Pier Pasolini, sobre o Cristo do Evangelho de São Mateus,  e de Scorcese versando sobre a Última Tentação de Cristo.

No Ocidente, houve filmes e livros censurados por tratarem do cristianismo de modo irreverente. Mas não houve um apelo oficial ao assassinato do autor, poderá dizer alguém, na tentiva de mostrar ser o clero dos seguidores de Cristo mais condescendentes ou tolerantes com os blasfemadores. Entretanto, bastará lembrar-se que, na Idade Média, qualquer desvio era imediatamente punido com torturas e morte na fogueira. Ou seja, como a religião muçulmana começou nos anos 600 DC, hoje ela está no seu séculos XV, equivalente à Idade Média cristã e sua Inquisição.”
Artigo Completo, ::AQUI::
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