Julian Assange entrevista ativistas do movimento Occupy

"Os entrevistados do 7º Programa “The World Tomorrow” são ativistas do Movimento Occupy de Nova York e Londres

Brasil de Fato / Entrevista transcrita e traduzida pelo Coletivo Vila Vudu

Os entrevistados no 7º Programa “The World Tomorrow” são Marisa Holmes, Alexa O’Brien e David Graeber, do Occupy New York, e Aaron Peters e Naomi Colvin, do Occupy Londres.



Julian Assange: Bem vindos a uma edição especial de nosso programa. Normalmente esses diálogos desenrolam-se no local onde estou sob prisão domiciliar, mas hoje, dada a quantidade de gente envolvida no movimento Occupy , decidimos fazer o programa aqui no velho prédio do Deutche Bank de Londres que está controlado por amigos do Occupy . Temos aqui Marisa Holmes do Occupy New York; Alexa O’Brien do Occupy New York e do “Dia da Ira” dos EUA; Aaron Peters do Occupy Londres; Naomi Colvin do Occupy Londres; e David Graeber de Occupy New York.

Gostaria de dividir o programa em duas partes. Na primeira parte, quero entender como o movimento Occupy ganhou vida. Que tipo de gente estava envolvida na base política para organizar o movimento, para divulgar suas questões e difundir o movimento. Depois, me interessa ver para onde o movimento está andando.

David, de onde, em sua opinião, veio esse movimento que, no final, levou à ocupação da Praça Zuccotti e depois se estendeu pelo resto dos EUA?

David Graeber: Creio que houve um tipo de movimento global, que, creio, começou em Túnis, e parece ter-se entendido pelo Mediterrâneo: Grécia, Espanha. Na realidade, é o mesmo movimento que sacudiu os EUA. E muita gente da Grécia e da Espanha, que esteve envolvida nos primeiros dias e mesmo antes da ocupação da Praça Zuccotti, são parte dele. Por isso, acho que há um tipo de agitação global.

Julian Assange: Alexa, você esteve envolvida no Dia da Ira nos EUA, em maio de 2010. Para você, é o momento de fazer uma transição do ciberespaço para o “espaço de encontros”, ou há algum outro caso análogo prévio?

Alexa O’brien: Bem, creio que sim, definitivamente. Quero dizer, sim, estamos ligados à parte superior e ao enxame de ativistas e atividades menores, nos meios sociais; e a transformação na organização dos meios também desempenhou seu papel, ano passado, em Occupy Wall Street.

Julian Assange: É claro que havia uma inspiração, para vocês, na primavera árabe?

Aaron Peters: Bem, esse é assunto do qual não se fala muito. Em 2008, o Egito passou a ser o país n. 1 para o Banco Mundial, em relação a reformas e no mundo em desenvolvimento. Em termos de reformas liberais, o Egito era insuperável na África do Norte e no Oriente Próximo, do ponto de vista do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. O maior fenômeno que se vê aqui é que... Depois da II Guerra Mundial, o estado nacional via-se como uma espécie de depositário da responsabilidade democrática. Desde o fim dos anos 1970s, tudo isso estava desaparecendo. E em alguns lugares nunca existiu, não é? Agora, é fenômeno global. Agora reconhecemos que os resultados da política pública não estão acontecendo no plano nacional e que os criadores das políticas realmente não estão nos parlamentos nacionais, estão do outro lado; e aqueles que ditam as políticas não são responsabilizáveis de modo algum, ou não são os representantes democráticos. E é um fenômeno global. Está acontecendo na Índia, na China, nos EUA e no Reino Unido.”
Entrevista Completa, ::Aqui::
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