Condenado à morte por cantar contra o Irã

SHAHIN NAJAFI canta num show em Düsseldorf: artista fugiu para a Europa após ser condenado à prisão

Rapper exilado na Alemanha é 1 residente no exterior alvo de sentença expedida por aiatolá desde Rushdie, em 1989

O Globo

Por causa de uma canção na forma de diálogo com o imã Ali al-Hadi al-Naghi — morto há 1.143 anos — sobre as mazelas do povo iraniano sob uma ditadura religiosa, o músico iraniano Shahin Najafi, que vive na Alemanha, foi alvo de uma fatwa (decreto islâmico) condenando-o à morte por blasfêmia. É a primeira sentença do gênero proferida pelas autoridades religiosas do Irã contra um residente no exterior desde que Salman Rushdie recebeu a mesma punição, em 1989, por seu livro “Versos Satânicos”.

— Eu continuo trabalhando, compondo textos, pois não vou me deixar dominar pelo medo, mas claro que isso afeta bastante a minha vida — disse Shahin ao GLOBO, por telefone.

Na composição, em estilo rap, Najafi convida o imã, de forma provocadora, a visitar o Irã de hoje para conhecer a realidade atual do país.

Clipe provocador com mulheres e taças de vinho

A reação do Irã veio há duas semanas. Na sentença, o aiatolá Nasser Makarem Schirasi é indagado sobre qual punição mereceria o “antirrevolucionário” que vive no exterior e ofende o imã, e ele responde: com a condenação à morte. A notícia foi divulgada imediatamente pela imprensa persa, também na internet, onde foram divulgados textos com apelos aos muçulmanos para que cacem o músico. O aiatolá teria oferecido recompensa de US$ 100 mil pela morte de Shahin.

Najafi, de 31 anos, imigrou para a Alemanha em 2005 e, desde então, tem desenvolvido a sua carreira ao ponto de tornar-se o músico preferido da juventude iraniana. Logo que tomou conhecimento de ser alvo de ameaças, cancelou uma turnê europeia, que deveria começar na próxima semana, e foi para um lugar desconhecido, onde é protegido noite e dia por policiais alemães.

Najafi já tinha tido uma experiência negativa com o poder do Irã antes de deixar o país. Por causa de uma canção aparentemente inofensiva, com o título de “Eu tenho uma barba”, ele foi condenado a três anos de prisão e a cem chibatadas, mas conseguiu fugir para a Europa. A partir daí, tornou-se ainda mais conhecido como o porta-voz musical da Revolução Verde do Irã — o levante popular após a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 2009, que acabou sufocado pela dura repressão do regime.”
Foto: AP
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