Em seu segundo programa, Assange entrevista Zizek e Horowitz: “Esquerda e direita, no século 21"


No segundo programa de “The World Tomorrow”, da Russia Today, Julian Assange entrevista o esloveno Slavoj Zizek e o ex-radical de esquerda David Horowitz

Entrevista transcrita e traduzida pelo Coletivo Vila Vudu / Brasil de Fato

Julian Assange: Hoje, temos conosco dois intelectuais superstars. O filósofo esloveno Slavoj Zizek, ex-dissidente e anticomunista, que hoje se autodescreve como  “comunista”. Convidamos também David Horowitz, ex-radical de esquerda, aliado dos Panteras Negras, hoje ardente direitista. Quero saber o que pensam sobre o futuro da Europa e dos EUA. A conversa esquentou. Zizek teve de ser fisicamente contido. Gritaram, discutiram, depois falamos mais tranquilamente sobre nazistas e palestinos, os Panteras Negras, Obama, Romney e Stálin.

David [para Horowitz], você se autodescreve como conservador. Zizek, você se autodescreve como comunista. Apesar disso, os dois têm [tiveram?] retratos de Stálin [o telefone toca na casa de Horowitz, que atende: ‘Não posso falar agora. Estou numa conferência internacional’.

Zizek [ri]: “É Stálin. Telefonou p’rá dizer: não mexam comigo!” [Risos. Horowitz volta à câmera do computador.]

Assange: David, pode dizer o que entende por ‘conservador’ e por que tem [teve?] um retrato de Stálin?

Horowitz: O retrato de Stálin apareceu no meu escritório depois da morte dele. E sou conservador porque os esquerdistas, os utopistas, não têm ideia do que é a natureza humana. Por isso, quando chegam ao poder, enfrentam o grande problema de as pessoas não seguirem o programa deles, e eles as matam ou as metem nos gulags. O problema da ideia utopista é a ideia.

Assange [para Zizek]: E você?

Zizek: Primeiro, sobre o retrato de Stálin. [Está lá] precisamente para lembrar-me, e talvez, mesmo num nível marginal, você concorde, dos riscos, dos perigos, de experimentos políticos radicais.

Horowitz: Não sei o que Slavoj diz, quando diz que Stálin o faz lembrar os riscos dos experimentos totalitários aos quais a ideia utopista pode levar, porque ele apoia todos os movimentos totalitários do mundo. Você apoia o que temos de mais próximo dos nazistas, das ideias utopistas, no Oriente Médio. Você apoia os palestinos. Não sei que diferença há, entre os palestinos que querem matar judeus, e os nazistas.

Zizek: Mas, você alguma vez visitou a Cisjordânia? [Horowitz intromete-se: ‘Não. Nunca estive em Israel’. Ininteligível] Posso garantir que é absolutamente seguro para judeus. Eu estive lá com meus amigos judeus e posso garantir. Não estou dizendo, quero destacar isso: acho ruim essa ideia de o que os nazistas fizeram aos judeus, os judeus fazem agora aos palestinos. Concordo: é ruim, não faz sentido. Mas, me desculpe, os palestinos lá são ferrados. Muito ferrados.

Horowitz interrompe: ‘São ferrados pelo Hamás! [Zizek tenta responder: ‘Não, não’] Horowitz insiste: ‘São ferrados pela OLP! São ferrados pela Arábia Saudita! São ferrados pelo Egito!’]

Zizek [tenta concluir a resposta]: Tenho de discordar. São ferrados pelos israelenses. Os israelenses humilharam Arafat e outros e tal, e as políticas israelenses abriram caminho para a influência do Hamás. Em segundo lugar...

Horowitz: Ah, sim, agora vai culpar os judeus pelo Hamás! Ótimo!

Zizek: Ah, meu deus, você está vendo?! Isso é que eu não gosto em você. Qualquer coisa que eu diga, estou culpando os judeus?! [Assange interfere, para acalmar Zizek. Horowitz ri. Parece estar satisfeito por ter conseguido o que queria com a provocação.] Por favor, só uma coisa, agora, a sério. Vejam uma coisa. Vejam a situação das mulheres, agora, no Iraque. “
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